Livros sobre massacre indígena, perseguição à Igreja católica e Conflitos no Campo serão lançados hoje na UFRR

O livro ‘Genocídio indígena e perseguição à igreja católica em Roraima’ se baseia nos arquivos confidenciais dos órgãos de repressão brasileiro

Como parte da Semana dos Povos Indígenas, Entidades Sociais, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Diocese de Roraima lançam logo mais, terça-feira (05), às 17h30, dois livros que relatam realidades que chocaram e ainda marcam a vida de pessoas e da igreja. Os debates em torno das obras e a noite de autógrafos ocorrem no auditório Alexandre Borges, na UFRR (Universidade Federal de Roraima).

O primeiro é o livro ‘Genocídio indígena e perseguição à igreja católica em Roraima’, fruto de quase 17 meses de pesquisa da historiadora, Adriana Santos, e do ativista social, Antonio Fernandes Neto. O livro será comercializado a R$ 30.

A obra se baseia nos arquivos secretos e confidenciais dos órgãos de repressão do estado brasileiro, no período compreendido entre a ditadura militar (1964-1985) e os primeiros anos da Nova República.

“Com base em documentos e gravações, há relatos do massacre de mais de 2.400 povos indígenas, da etnia Waimi-Atroari, no norte do Amazonas. Isso começa no final de 69 durante a construção da BR 174, e vai até o período do minério. Na desculpa de abrir a estrada, eles expulsam e matam indígenas, da mesma forma nas terras de minérios povoadas por índios há séculos”, contou Antônio Neto, ressaltando que o Exército, à época, teve parcela de participação. “O Estado atuou como terrorista”.

O livro conta também sobre a retirada das missões que prestavam serviço de saúde por parte da FUNAI, o que resultou, segundo a Comissão Nacional da Verdade responsabilidade na morte de mais 400 indígenas. Outra verdade relatada é o “Relatório Figueiredo”, de 1967, sobre todo o método de tortura contra os indígenas.

De acordo com documentos, um dos que mais sofreu com perseguições e ameaças foi o bispo emérito de Roraima, Dom Aldo Mogiano, devido começar a organização da resistência indígena. “Por esse motivo, o bispo era muito perseguido, por toda a elite política, que hoje são nomes de avenidas, palácios. Temos uma gravação feita por Hélio da Costa Campos e mais alguns da família Brasil dizendo: “vamos impedir demarcação à bala, usar armas que aqui não tem lei”. São documentos militares, gravações do Exército, documentos confidenciais que descobrimos”, revelou.

A coautora Adriana mencionou que o livro deve ser lido por toda sociedade cristã e não-cristã. Ela resumiu dizendo que é um compromisso social. “Acredito que nós precisamos reunir um movimento para exigir ao Estado brasileiro que peça perdão a toda perseguição e ameaças feitas contra dom Aldo Mogiano, a igreja católica e, consequentemente,  seria perdão a nós mesmo”, avaliou.

Ainda a professora complementou, o livro torna públicos os documentos e fontes para que se questionem as verdades construídas sobre os povos indígenas, em que perpetuam a exclusão social engendradas pelo Estado em aliança com o setor empresarial. “É uma história ultrajante. É preciso conhecer e troná-la pública, para que não voltem a se repetir”, argumentou Adriana.

CONFLITOS NO CAMPO – O segundo livro é da Comissão Pastoral da Terra, que lança o “Caderno de Conflitos no Campo 2016”. A publicação chama atenção para o aumento de assassinatos nos campos brasileiros. Foram 1.295 conflitos por terra no ano passado.

O ano 2016 entra para a história como o ano com o maior número de assassinatos no campo em decorrência de conflito agrários, de luta pela terra e pela água, nos últimos 13 anos. O monitoramento da CPT registrou 61 assassinatos ano passado, 11 a mais que em 2015, com registro de 50 assassinatos.

Na Amazônia se concentraram 57% das ocorrências de conflitos e 54% das famílias envolvidas em conflitos por terra. Com a região abriga só 12% da população brasileira, pode-se ter uma noção da intensidade dos conflitos que ocorrem.

O relatório destaca ainda que vem aumentando, desde 2015, atos do Executivo e do Legislativo brasileiros, que implicam e resultarão em redução dos direitos já conquistados pela agricultura familiar, indígenas e quilombolas.

Com este caderno a CPT espera que os dados, organizados com rigor científico, sensibilizem as autoridades para que tenham um pouco mais de atenção e facilitem a vida dos camponeses e comunidades indígenas. Os dados da pesquisa e o relatório podem ser acessados no site da CPT: www.cptnacional.org.br.

Serviço

Evento: Lançamento do Caderno da CPT ‘Conflitos no Campo Brasil 2016’; e do livro ‘Genocídio indígena e perseguição à igreja católica em Roraima’.

ONDE: Auditório Alexandre Borges (UFRR)

QUANDO: terça-feira (5) das 17h30 às 20h

ENTRADA: Gratuita

Fonte: REPAM RR

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