ÉLISSAN PAULA RODRIGUES
Especial para o EducaRR
O que nasceu da necessidade de uma renda extra se transformou em um dos sabores mais tradicionais de Boa Vista. A Feijoada do Elson, que completa 10 anos em 2025, é mais que um prato no cardápio dos sábados na capital, virou símbolo de empreendedorismo e de inovação da culinária local.

A história começou de forma despretensiosa, conforme o empreendedor Elson Tertuliano. “As contas vão chegando e aí eu passei por uma perda, eu perdi um cargo que eu tinha. Então, pela necessidade do dinheiro, e eu sempre gostei de cozinhar, fui abrir a feijoada”. No início, tudo era feito de forma improvisada, na casa de um amigo. Depois, ele se instalou no ponto atual, dentro das dependências do Parque Anauá, no antigo Jeep Bar, e colocou em prática aquilo que mais gostava: cozinhar. Com o tempo, a feijoada foi ganhando novas versões, um estilo próprio de preparo e apresentação, adaptado ao gosto dos roraimenses.

Foi assim que nasceu a famosa feijoada Nutella, versão sem orelha, rabo ou pé de porco. “Quando fazia bufê de feijoada na casa das pessoas, um dia ajudando os garçons no evento a recolher os pratos, eu vi lá pé, rabo de porco, as pessoas não comendo. Daí eu fui e perguntei por que que a pessoa não tava comendo o pé, o rabo. Aí eles falaram: ‘não, tio, eu só gosto de calabresa e bacon’. Aí nasceu a feijoada Nutella, que é só com calabresa e bacon”, explica.

Atualmente, a Nutella representa cerca de 40% das vendas totais e, em alguns eventos, é a primeira a acabar. Com sensibilidade para ouvir o público e se reinventar, Elson também criou a feijoada Macuxi, feita sem a carne de porco. “A Macuxi nasceu da minha ex-mulher, que foi criada pelos avós adventistas, e eles não comem carne de porco. Então, antes de eu começar a cozinhar para buffet e para a Feijoada do Elson, eu já fazia essa feijoada só com carne de sol, costela de sol e charque”, conta.
Mais recentemente, ele lançou também a feijoada vegetariana, temperada apenas com cebola, alho frito e sal. “Hoje você tem que dar o conforto, tem que dar a opção para a pessoa, tem que dar todas as possibilidades”, afirma o empreendedor.
Mas por trás das panelas fumegantes, Elson é conhecido pela grande rede de apoio de amigos, a quem sempre procura lembrar e agradecer. “Eu tenho ‘as meninas’, um grupo de amigas que me deu muita força quando eu perdi esse meu comissionado. Eu fiquei ganhando muito pouco, entendeu? E elas sempre me deram força. ‘Vai cozinhar, tu gosta de cozinhar’. E eu fui. E nesses 10 anos, sabe o que mais me conforta, o que me alimenta? São os elogios. De você fazer e receber elogio, entendeu? Que tá bom, elogiando o garçom, elogiando os cozinheiros, a equipe que trabalha comigo, que é maravilhosa. Então isso me emociona muito, é muito gratificante. O alimento do cozinheiro são os elogios, pode ter certeza”, revela emocionado.
De olho no futuro
O próximo passo de Elson é realizar um sonho antigo: abrir um espaço próprio para receber os clientes. “Até o final do ano de 2025, eu quero comemorar com um ponto físico para que os clientes possam comer no local. Quero fazer uma coisa bem legal, um espaço grande”, projeta.
Atualmente, o atendimento é apenas por retirada. “Quem sabe aqui dentro do parque, né? Mas atualmente onde eu estou, só dá para trabalhar com a retirada. Mas o povo me cobra muito, os clientes, para ter um local para servir e eu vou ter, se Deus quiser. Vai ser essa novidade”, diz Elson.